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Ministério Público denuncia prefeito de Miradouro por contratação direta ilegal de assessoria jurídica

DENÚNCIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Ministério Público denuncia prefeito de Miradouro por contratação direta ilegal de assessoria jurídica
Ministério Público denuncia prefeito de Miradouro por contratação direta ilegal de assessoria jurídica (Foto: Reprodução)

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou o prefeito de Miradouro, o procurador jurídico municipal, a presidente da comissão de licitação e um advogado pelo crime de contratação direta ilegal de serviços jurídicos para a prefeitura. De acordo com Procuradoria de Justiça Especializada em Ações de Competência Originária Criminal (PCO), os denunciados atuaram de forma conjunta para viabilizar a inexigibilidade indevida de licitação, causando prejuízo de R$ 311,7 mil aos cofres públicos.

De acordo com a denúncia, o prefeito autorizou, em 2021, a contratação de um escritório de advocacia sem licitação, mesmo ciente de que os serviços não possuíam caráter singular nem exigiam notória especialização, requisitos legais para a inexigibilidade. A contratação, segundo o MPMG, ocorreu mesmo com a administração tendo estrutura jurídica própria e contando com profissionais externos.

O contrato foi formalizado com o apoio do procurador jurídico municipal, que emitiu parecer favorável à inexigibilidade de licitação. As investigações indicam que o documento não foi produzido de forma autônoma, mas reproduziu integralmente modelo fornecido pelo próprio escritório beneficiado, o que, segundo o MPMG, demonstra a atuação consciente para conferir aparência de legalidade ao ato.

A presidente da comissão de licitação, por sua vez, teria participado diretamente da formalização do processo, subscrevendo documentos também baseados em modelos previamente encaminhados pelo escritório. Conforme a denúncia, ela tinha plena ciência das irregularidades e atuou em cumplicidade com o chefe do Executivo para viabilizar a contratação.

Já o advogado responsável pelo escritório contratado é apontado como beneficiário direto do esquema. Segundo o MPMG, ele contribuiu para a consumação do crime ao fornecer o chamado “kit contratação”, composto por minutas e documentos padronizados utilizados para simular a legalidade da inexigibilidade. Além disso, teria se recusado a apresentar comprovantes dos serviços prestados, o que reforçaria a suspeita de que as atividades não foram efetivamente executadas.

As investigações também identificaram que os serviços contratados — como elaboração de pareceres, acompanhamento de processos e assessoria administrativa — eram atividades rotineiras da advocacia pública, sem complexidade que justificasse a contratação direta.

Outro ponto destacado é que a contratação teria sido motivada por articulação política, e não por necessidade técnica da administração. Em depoimento, o próprio prefeito não teria conseguido, segundo a denúncia, indicar demandas específicas que justificassem a contratação direta, sem licitação.

Segundo a Procuradoria de Justiça, o escritório utilizava contratações semelhantes em outros municípios, com documentos padronizados e justificativas idênticas, indicando um padrão de atuação. Os serviços, conforme a denúncia, incluíam, de forma disfarçada, a defesa de interesses pessoais e políticos de agentes públicos, tudo custeado com recursos municipais.


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