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BLOCO DE.MODA - Wagner Penna

MODA NO ATACADO

BLOCO DE.MODA - Wagner Penna
BLOCO DE.MODA - Wagner Penna (Foto: Reprodução)

BLOCO DE.MODA - Wagner Penna

MODA NO ATACADO


No Brasil, o calendário de lançamentos de moda é marcado por uma divisão clara entre atacado e varejo, com dinâmicas próprias que refletem o tamanho do país e a diversidade de climas e mercados. No atacado, especialmente, os lançamentos acontecem com bastante antecedência em relação ao varejo, permitindo que lojistas se programem e abasteçam suas lojas com previsibilidade.

Tradicionalmente, o atacado trabalha com coleções apresentadas de 4 a 6 meses antes da estação. Por exemplo, o verão começa a ser vendido no atacado em abril (Minastrend) e o alto-verao em julho e agosto; o outono/inverno em novembro até janeiro. Já o varejo acompanha o calendário climático mais de perto.

Nos últimos anos, porém, ganhou força um outro modelo: o lançamento por pronta-entrega no atacado. Nesse formato, o lojista compra e já recebe a mercadoria imediatamente, sem precisar esperar pela produção. Esse sistema atende à demanda por maior agilidade e reposição rápida nas lojas.

Nesse contexto, o polo de moda de Belo Horizonte se tornou um ponto estratégico nacional para encurtar o percurso da confecção até a loja - fazendo a entrega em poucos dias. A cidade consolidou um forte circuito de moda atacadista com pronta-entrega, garantindo uma moda de bom nivel criativo, tecnico e qualitativo para abastecer lojistas de várias partes do Brasil. O diferencial está justamente na capacidade de oferecer produtos atualizados, em ciclos mais curtos, quase acompanhando o ritmo do varejo.

Assim, surgem “micro-datas” de lançamentos ao longo do ano - tambem chamadas de 'coleções-cápsulas' .Na prática, há picos de pronta-entrega para o inverno (em

fevereiro/março), para o verão (julho/agosto) e festas + alto verão (setembro a novembro).

Esse modelo híbrido — coleção antecipada + pronta-entrega — mostra como o atacado brasileiro vem se adaptando às constantes evolução do consumo.

VAIVÉM

*** Os shoppings centers voltam a registrar crescimento consistente no Brasil e nos EUA, impulsionados pela geração Z. Mesmo nativos digitais, esses consumidores valorizam cada vez mais a experiência presencial. O aumento de fluxo reduz vacância e reaquece vendas. Marcas respondem com lojas mais atrativas e ações ao vivo. Os malls retomam o papel de destino de convivência com o físico deixando de ser coadjuvante no varejo. A retomada reflete mudança de comportamento importante para a moda.

** O crescimento acelerado de plataformas de revendas fashion ampliou o volume de pequenos envios, mais fragmentados e menos previsíveis. Isso tem sobrecarregado centros de distribuição,pois, diferente do atacado tradicional, são milhares de pacotes individuais circulando ao mesmo tempo. O resultado é aumento de prazos e gargalos operacionais. Em períodos de pico, essa dinâmica pode até “travar” parte da logística. O fenômeno reforça um novo desafio estrutural para o e-commerce de moda.

* PONTO FINAL :Os rumores sobre o fim da taxa das blusinhas reacendem o debate sobre competitividade no varejo brasileiro. Sem a tributação, importados de baixo valor ganham mais força e o consumidor tende a se beneficiar com preços menores. Em contrapartida, o varejo nacional sofre maior pressão e a indústria local pode perder margem e escala. Cresce o risco de dependência externa no setor e ovcenário amplia a disputa no fast fashion. Que Deus nos proteja!

LEGENDA

Desfile pronta-entrega da marca Isa Paes


Foto: divulgação


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