Disputa entre facções faz Ubá liderar homicídios na Zona da Mata
CRIMINALIDADE
Ubá registrou, em 2024, a maior taxa de homicídios na Zona da Mata, proporcionalmente ao número de moradores. Com 34,5 mortes por 100 mil habitantes, o município superou os índices de Minas Gerais (12,8) e do Brasil (20,1), segundo dados do Atlas da Violência divulgados no final de maio pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O índice também destoa de Juiz de Fora, cidade com população cerca de cinco vezes maior, que registrou taxa de 8,7 homicídios a cada 100 mil habitantes.
Para compreender os fatores por trás do avanço da violência letal em Ubá, a Tribuna ouviu autoridades da segurança pública da região. Com população estimada em 107.423 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade vive, de acordo com o delegado regional Bruno Salles, um cenário atravessado pelas disputas entre facções criminosas e pela posição estratégica do município.
O município ubaense é base de um dos principais polos moveleiros de Minas Gerais. Segundo o delegado regional Bruno Salles, esse cenário também despertou o interesse de facções criminosas fluminenses, como o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Comando Vermelho (CV), que passaram a atuar no município há cerca de quatro anos. “As facções viram um mercado lucrativo em Ubá”, explica Salles.
De acordo com o delegado, antes da chegada das organizações criminosas do Rio de Janeiro, os conflitos ligados ao tráfico de drogas eram marcados por disputas locais entre bairros da cidade. Com a entrada das facções, porém, as batalhas por território passaram a envolver maior poder bélico, ampliação da influência criminosa e confrontos cada vez mais violentos. Ele ressalta, por exemplo, as apreensões de granadas, pistolas, semi-metralhadora e até de um fuzil no município.
A reportagem é do Jornal Tribuna de Minas
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